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MANUEL ARRUDA

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Manuel Monteiro Velho Arruda

Manuel Monteiro Velho Arruda foi um médico e historiador açoriano que durante cerca de 40 anos exerceu as funções de delegado de saúde em Vila Franca do Campo, na ilha de São Miguel.

Para além das suas funções como médico, dedicou-se ao estudo da genealogia e da história, desenvolvendo importante estudos sobre o povoamento dos Açores, em particular sobre a sua ilha natal, de Santa Maria, e sobre as viagens feitas no Atlântico Noroeste, em especial para as costas da Terra Nova e da Nova Inglaterra, por navegadores que partiram dos Açores durante o período henriquino.

Biografia

Descendente das mais antigas famílias da ilha de Santa Maria, foi o primogénito do casal José Joaquim d'Arruda e Maria Guiomar Monteiro de Bettencourt.

Após ter feito os seus estudos primários em Vila do Porto, no ano de 1889 matriculou-se no Liceu de Ponta Delgada, ficando a residir na cidade de Ponta Delgada em casa de um seu tio, João Bernardo Rodrigues, então ali professor de piano e música.

Residiu com os tios, e futuros sogros, até 1894, ano em que terminou os estudos liceais e partiu para o Continente, onde se matriculou no curso de Medicina da Universidade de Coimbra.

Nos anos em que viveu em Ponta Delgada conheceu a sua futura esposa, a sua prima Irene Rodrigues, e estabeleceu uma duradoura amizade com o seu primo, e futuro cunhado, o poeta Rodrigo Rodrigues.

A sua progressão académica foi lenta, vindo a diplomar-se apenas em 1904. Durante esta década coimbrã, adquiriu uma sólida cultura humanística e conviveu com um grupo de notáveis açorianos que então ali frequentavam a Universidade, entre os quais Carlos de Mesquita, Humberto de Bettencourt e José Bruno Tavares Carreiro.

Concluído o curso regressou aos Açores Dezembro de 1904, fixando-se na ilha de São Miguel, obtendo o partido médico da vila da Povoação. Em 1905 desposou Irene Arruda Rodrigues, filha do tio em casa de quem vivera enquanto estudante liceal. Deste casamento nasceriam Maria José, Violante, Leonor, Helena e Laura Rodrigues Monteiro Velho Arruda.

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Em 30 de abril de 1908 obteve o partido médico de Vila Franca do Campo, onde fixou residência e exerceu as funções de Delegado de Saúde, cargo que exerceria até se aposentar em 1948. Esta ligação profissional à Medicina não impediria contudo que continuasse a dedicar-se com afinco às questões culturais e depois ao estudo da Genealogia e da História.

O seu entusiasmo pelos estudos genealógicos levou a que se tornasse no maior especialista nas genealogias da sua ilha natal de Santa Maria, completando e documentando com recolha de material dos cartórios paroquiais e municipais e dos arquivos judiciais, os trabalhos sobre as famílias da ilha que haviam sido iniciados pelo seu parente Manuel Barbosa da Câmara Albuquerque.

No decurso dos seus trabalhos genealógicos reuniu grande volume de documentos, a maioria dos quais inéditos e desconhecidos dos investigadores, que depois publicaria no volume XV do Arquivo dos Açores e com base nos quais publicou importantes trabalhos sobre a história mariense. As suas contribuições para o Arquivo dos Açores e para a Insulana continuam a ser considerados entre as melhores fontes para o conhecimento da história da ilha de Santa Maria.

Convidado a integrar a comissão que preparou as celebrações em 1932 do quinto centenário do descobrimento e povoamento dos Açores, Manuel Monteiro Velho Arruda dedicou-se com afinco ao estudo dos Descobrimentos Portugueses, principalmente das navegações realizadas no Atlântico Noroeste durante a época do Infante D. Henrique.

Assumindo uma posição eivada do nacionalismo que então dominava a vida política e cultural portuguesa, defendeu a primazia portuguesa na descoberta das ilhas açorianas e nas viagens para o Ocidente atlântico, assumindo que navegadores partidos dos Açores tinham chegado às costas norte-americanas da Terra Nova e da Nova Inglaterra em época pré-colombiana.

Estas teses encontraram fortes resistências entre os historiadores estabelecidos, entre os quais António Ferreira de Serpa, com quem manteve acesa polémica sobre o conceito de descobrimento e sobre a figura de Gonçalo Velho Cabral.

A polémica que travou com António Ferreira de Serpa nas páginas dos jornais Correio dos Açores e República despertou o interesse de Joaquim Bensaúde, outro defensor da primazia portuguesa nas navegações atlânticas, que passou a orientar a sua investigação.

Desta colaboração resultou a publicação de um volume de documentos referentes aos Açores nos séculos XV e XVI e às expedições que naquela época foram ali organizadas para explorar o oceano a oeste do arquipélago.

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Procurando dar uma resposta portuguesa às teses do historiador norte-americano Samuel Eliot Morison, Velho Arruda preparou um aprofundado estudo sobre João Vaz Corte-Real e os navegadores que a partir da ilha Terceira navegaram para o Atlântico Noroeste.

Os documentos reunidos por Velho Arruda foram publicados em 1934, sob a égide da Comissão do V Centenário do Descobrimento dos Açores, trazendo um prefácio, na realidade um verdadeiro ensaio introdutório, da sua autoria, que mereceu o elogio de historiadores eminentes. Aquele ensaio é ainda hoje considerado um dos mais completos e fundados trabalhos sobre a matéria.

Preparou para edição e prefaciou os Livros I e III das Saudades da Terra de Gaspar Frutuoso, para os quais preparou um importante ensaio introdutório.

Foi sócio-fundador do Instituto Cultural de Ponta Delgada 1943, onde integrou o conselho histórico e etnográfico da instituição, e colaborou com a publicação da segunda série do Arquivo dos Açores, coordenando a preparação volume XV 1959, dedicado quase inteiramente à ilha de Santa Maria, onde trouxe à luz expressiva documentação recolhida durante os seus muitos anos de pesquisa.

Aquela obra saiu postumamente. Sabe-se que preparou uma Memória Histórica sobre a Ilha de Santa Maria, mas dela apenas se conhece o esboço e algumas páginas.

Foi homenageado com o nome de uma via em Vila do Porto, a Rua Doutor Manuel Monteiro Velho Arruda, e a casa onde nasceu ostenta uma lápide recordando o seu nome.

O seu espólio literário está depositado na Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada.

FONTE WIKIPÉDIA

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