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JORGE AMADO

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Jorge Leal Amado de Faria foi um dos mais famosos e traduzidos escritores brasileiros de todos os tempos.

Ele é o autor mais adaptado da televisão brasileira, verdadeiros sucessos como Tieta do Agreste, Gabriela, Cravo e Canela e Teresa Batista Cansada de Guerra são criações suas, além de Dona Flor e Seus Dois Maridos e Tenda dos Milagres. A obra literária de Jorge Amado conheceu inúmeras adaptações para cinema, teatro e televisão, além de ter sido tema de escolas de samba por todo o Brasil. Seus livros foram traduzidos em 55 países, em 49 idiomas, existindo também exemplares em braille e em fitas gravadas para cegos.

Amado foi superado, em número de vendas, apenas por Paulo Coelho mas, em seu estilo - o romance ficcional -, não há paralelo no Brasil. Em 1994 viu sua obra ser reconhecida com o Prêmio Camões, o Nobel da língua portuguesa.

Biografia

Existem dúvidas sobre o exato local de nascimento de Jorge Amado. Alguns biógrafos indicam que o seu nascimento se deu na Fazenda Auricídia, à época município de Ilhéus. Mais tarde as terras da fazenda Auricídia ficaram no atual município de Itajuípe, com a emancipação do distrito ilheense de Pirangy. Entretanto, é certo que Jorge Amado foi registrado no povoado de Ferradas, pertencente a Itabuna.

No ano seguinte ao de seu nascimento, uma praga de varíola obriga a família a deixar a fazenda e se estabelecer em Ilhéus, onde viveu a maior parte da infância, que lhe serviu de inspiração para vários romances. Foi para o Rio de Janeiro, então capital da república, para estudar na Faculdade de Direito da então Universidade do Rio de Janeiro, atual Faculdade Nacional de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro . Durante a década de 1930, a faculdade era um polo de discussões políticas e de arte, tendo ali travado seus primeiros contatos com o movimento comunista organizado.

Foi jornalista, e envolveu-se com a política ideológica, tornando-se comunista, como muitos de sua geração. São temas constantes em suas obras os problemas e injustiças sociais, o folclore, a política, crenças e tradições, e a sensualidade do povo brasileiro, contribuindo assim para a divulgação deste aspecto do mesmo. Suas obras são umas das mais significativas da moderna ficção brasileira, com 49 livros, propondo uma literatura voltada para as raízes nacionais. Em 1945, foi eleito deputado federal pelo Partido Comunista Brasileiro PCB, o que lhe rendeu fortes pressões políticas. Era casado com Zélia Gattai, também escritora, que o sucedeu na Academia Brasileira de Letras. Com ela teve três filhos: João Jorge, sociólogo, Paloma, e Eulália. Viveu exilado na Argentina e no Uruguai 1941 a 1942, em Paris 1948 a 1950 e em Praga 1951 a 1952. Escritor profissional, viveu exclusivamente dos direitos autorais dos seus livros. Na década de 1990, porém, viveu forte tensão e expectativa de um grande baque nas economias pessoais, com a falência do Banco Econômico, onde tinha suas economias. Não chegou porém a perder suas economias, já que o banco acabou socorrido pelo Proer, controvertido programa governamental de auxílio a instituições financeiras em dificuldades. O drama pessoal de Jorge Amado chegou a ser utilizado pelo lobby que defendia a intervenção no banco, para garantir os ativos dos seus correntistas.

Crenças

Mesmo dizendo-se materialista, era simpatizante do candomblé, religião na qual exercia o posto de honra de Obá de Xangô no Ilê Opó Afonjá, do qual muito se orgulhava. Amigos que Jorge Amado prezava no candomblé as mães-de-santo Mãe Aninha, Mãe Senhora, Mãe Menininha do Gantois, Mãe Stella de Oxóssi, Olga de Alaketu, Mãe Mirinha do Portão, Mãe Cleusa Millet, Mãe Carmem e o pai-de-santo Luís da Muriçoca. Como Érico Veríssimo e Rachel de Queiroz, é representante do modernismo regionalista segunda geração do modernismo.

Premiações

Recebeu no estrangeiro os seguintes prêmios: Prêmio Lênin da Paz Moscou, 1951; Prêmio de Latinidade Paris, 1971; Prêmio do Instituto Ítalo-Latino-Americano Roma, 1976; Prêmio Risit d'Aur Udine, Itália, 1984; Prêmio Moinho, Itália 1984; Prêmio Dimitrof de Literatura, Sofia — Bulgária 1986; Prêmio Pablo Neruda, Associação de Escritores Soviéticos, Moscou 1989; Prêmio Mundial Cino Del Duca da Fundação Simone e Cino Del Duca 1990; e Prêmio Camões 1995.

No Brasil: Prêmio Nacional de Romance do Instituto Nacional do Livro 1959; Prêmio Graça Aranha 1959; Prêmio Paula Brito 1959; Prêmio Jabuti 1959 e 1995; Prêmio Luísa Cláudio de Sousa, do Pen Club do Brasil 1959; Prêmio Carmen Dolores Barbosa 1959; Troféu Intelectual do Ano 1970; Prêmio Fernando Chinaglia, Rio de Janeiro 1982; Prêmio Nestlé de Literatura, São Paulo 1982; Prêmio Brasília de Literatura — Conjunto de obras 1982; Prêmio Moinho Santista de Literatura 1984; Prêmio BNB de Literatura 1985..

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Traduções das obras

Jorge Amado ainda é o autor brasileiro mais publicado em todo o mundo: sua obra foi editada em 52 países, e vertida para 49 idiomas e dialetos: albanês, alemão, árabe, armênio, azeri, búlgaro, catalão, chinês, coreano, croata, dinamarquês, eslovaco, esloveno, espanhol, esperanto, estoniano, finlandês, francês, galego, georgiano, grego, guarani, hebraico, holandês, húngaro, iídiche, inglês, islandês, italiano, japonês, letão, lituano, macedônio, moldávio, mongol, norueguês, persa, polonês, romeno, russo também três em braille, sérvio, sueco, tailandês, tcheco, turco, turcomano, ucraniano e vietnamita.

Academia Brasileira de Letra

Jorge Amado foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em 6 de abril de 1961, ocupando a cadeira 23, cujo patrono é José de Alencar. De sua experiência acadêmica, bem como para retratar os casos dos imortais da ABL, escreveu Farda, fardão, camisola de dormir, numa alusão clara ao formalismo da entidade e à senilidade de seus membros, então.

Obras do autor

O País do Carnaval, romance 1930

Cacau, romance 1933

Suor, romance 1934

Jubiabá, romance 1935

Mar morto, romance 1936

Capitães da areia, romance 1937

A estrada do mar, poesia 1938

ABC de Castro Alves, biografia 1941

O cavaleiro da esperança, biografia 1942

Terras do Sem-Fim, romance 1943

São Jorge dos Ilhéus, romance 1944

Bahia de Todos os Santos, guia 1945,Tradução francesa:"Bahia de tous les saints",Gallimard,Paris,1979

Seara vermelha, romance 1946

O amor do soldado, teatro 1947

O mundo da paz, viagens 1951

Os subterrâneos da liberdade, romance 1954

Gabriela, cravo e canela, romance 1958

A morte e a morte de Quincas Berro d'Água, romance 1961

Os velhos marinheiros ou o capitão de longo curso, romance 1961

Os pastores da noite, romance 1964

O Compadre de Ogum,romance 1964

Dona Flor e Seus Dois Maridos, romance 1966

Tenda dos milagres, romance 1969

Teresa Batista cansada de guerra, romance 1972

O gato Malhado e a andorinha Sinhá, historieta infanto-juvenil 1976

Tieta do Agreste, romance 1977

Farda, fardão, camisola de dormir, romance 1979

Do recente milagre dos pássaros, contos 1979

O menino grapiúna, memórias 1982

A bola e o goleiro, literatura infantil 1984

Tocaia grande, romance 1984

O sumiço da santa, romance 1988

Navegação de cabotagem, memórias 1992

A descoberta da América pelos turcos, romance 1994

O milagre dos pássaros , fábula 1997

Hora da Guerra, crônicas 2008

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Em 1995 iniciou-se o processo de revisão de sua obra por sua filha Paloma e os livros ganharam novo projeto gráfico.

Prêmios e títulos

Em 1951, recebeu o Prêmio Stalin da Paz, depois renomeado para Prêmio Lênin da Paz. Recebeu também títulos de Comendador e de Grande Oficial, nas ordens da Argentina, Chile, Espanha, França, Portugal e Venezuela, além de ter sido feito Doutor Honoris Causa por dez universidades no Brasil, Itália, Israel, França e Portugal. O título de Doutor pela Sorbonne, na França, foi o último que recebeu pessoalmente, em 1998, em sua derradeira viagem a Paris, quando já estava doente.

Cartas

São mais de cem mil páginas em processo de catalogação, as cartas trocadas com gente do mundo inteiro, guardadas num acervo isolado da Fundação Casa de Jorge Amado, em Salvador. A doação foi entregue com uma ressalva, por escrito: "Jorge escreveu que somente cinquenta anos após sua morte esse material devia ser aberto ao público", segundo a poeta Myriam Fraga, que dirige a casa desde sua criação, há vinte anos.

De relatos sobre livros e obras de arte a fatos do cotidiano, grandes escritores, poetas e intelectuais de seu tempo se corresponderam com ele: Graciliano Ramos, Érico Veríssimo, Mário de Andrade, Carlos Drummond de Andrade, Monteiro Lobato e Gilberto Freyre, entre outros brasileiros; Pablo Neruda, Gabriel García Márquez e José Saramago, entre tantos outros estrangeiros. No campo da política, a correspondência se estabeleceu com nomes os mais variados como: Juscelino Kubitschek, François Mitterrand e Antônio Carlos Magalhães.

As cartas mostram como o escritor recebia os mais imprevistos pedidos, apresentava pessoas umas às outras, em época em que era intenso o diálogo via postal. A correspondência pessoal de Jorge Amado pode oferecer inestimável fonte de pesquisa.

Alguns trechos retirados de reportagem exclusiva, por Josélia Aguiar, à Revista Entre Livros - Ano 2 - nº 16:

De Gláuber Rocha, sem data, sobre a nova película A idade da terra, de 1980. "Comecei o dia chorando a morte de Clarice Lispector, inicia assim a carta para adiante falar sobre o novo filme: "Está sendo feito como você escreve um romance. Cada dia filmo de dois a sete planos, com som direto, improvisado a partir de certos temas. Estou, enfim, tendo a sensação de 'escrever com a câmera e com o som', tentando um caminho que fundiu a cuca do Jece Valadão, ator.

Mário de Andrade, logo após ler Mar morto, em 1936, elogia o que chama de "realidade honesta" e a "linda tradição de meter lirismo de poesia na prosa": "Acaba de se doutorar em romance o jovem Jorge Amado, grande promessa do mundo intelectual".

Monteiro Lobato, também sob forte impressão após ler Mar morto, 1936: "Lí-o com a mesma emoção trágica que seus livros sempre me despertam", e conta que, ao visitar o cais do porto de Salvador, havia "previsto" que a obra seria escrita: "Qualquer dia o Jorge Amado presta atenção e pinta os dramas que devem existir aqui. Adivinhei.".

Pablo Neruda em carta breve, com data de 16 de outubro e ano incerto, escrita a mão: "Será que no Brasil eu poderia fazer um ou dois recitais pagos?"Haverá algum empresário interessado em organizar com seriedade essa turnê?.

 Extraído da Wikipédia

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