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LUIS CARDOSO

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Luís Cardoso Martins da Costa Macedo 

Luís Cardoso Martins da Costa Macedo

Guimarães, Casa da Veiga, S. Pedro de Azurém, a 8 de Janeiro de 1836; - Guimarães, Casa do Carmo - S.ta Maria de Oliveira do Castelo, a 30 de Julho de 1919

1º conde de Margaride dec. de 3 de Março de 1877, Fidalgo Cavaleiro da Casa Real, por sucessão 1862, do Conselho de Sua Majestade Fidelíssima 1874, Comendador da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa 1876, Grã-Cruz da Ordem de Cristo 1907, Par do Reino por carta régia de 29 de Dezembro de 1881, de que tomou assento e prestou juramento na sessão da Câmara dos Pares de 18 de Dezembro de 1882, Governador Civil de Braga 1871-1877 e do Porto 1878-1879, Procurador de Guimarães na Junta Geral do Distrito de Braga de 4 de Novembro de 1883 a 28 de Novembro de 1885, Presidente da Câmara Municipal de Guimarães 1870, 1878, 1887-1892, Bacharel formado em Filosofia pela Universidade de Coimbra 15 de Julho de 1857, 9º Senhor da Casa de Margaride em S. Romão de Mesão-Frio, Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Guimarães, Provedor da Real Irmandade de Nossa Senhora da Consolação e Santos Passos e herdeiro de toda a casa de seus pais. Foi um dos mais notáveis vimaranenses do seu tempo e um exemplo total de dedicação à sua Pátria. Tem o seu nome uma das principais avenidas da cidade.

Teve a honra de receber várias vezes a Família Real na sua Casa do Carmo:

a 2 de Julho de 1872, S.M. D. Luís I e o Infante D. Augusto;

a 20 de Outubro de 1887, S.S.M.M. D. Luiz I e a Senhora D. Maria Pia e S.S.A.A.R.R. o Príncipe D. Carlos e Senhora D. Amélia e o Infante D. Afonso;

a 29 de Novembro de 1891, S.S.M.M. o Senhor D. Carlos I e a Senhora D. Amélia passaram a tarde e jantaram;

a 17 de Julho de 1906 o Rei D. Carlos I almoçou e dormiu;

a 13 de Agosto de 1907 o Rei D. Carlos I jantou e dormiu;

a 29 de Novembro de 1908 o Rei D. Manuel II, na sua visita ao Norte, deu recepção, almoçou e jantou na Casa do Carmo.

Ramalho Ortigão fala do conde de Margaride no 1º volume das "Farpas", entre outras vezes. Da opulência da sua mesa resta algumas suculentas ementas no papel! e algumas referências na imprensa do tempo, nomeadamente em Camilo Castelo Branco, que várias vezes fala "nas vitualhas do nobre Conde" e com mais pormenor na "Reabilitação do Visconde de Margaride", incluído nas "Noites de Insónia" n.º I, Janeiro de 1874. Distinguiu-se na carreira administrativa, nomeadamente como governador civil de Braga de 12 de Outubro de 1871 a 15 de Março de 1877 e do Porto de 6 de Fevereiro de 1878 a 3 de Junho de 1879.

Fez algumas intervenções na Câmara dos Pares, mas apenas integrou uma comissão, a da Agricultura em 1886: em 1884, debruçou-se algumas vezes sobre o estado das indústrias portuguesas e reportando-se especialmente à necessidade de se desenvolver a instrução, propôs a criação de uma escola industrial em Guimarães, durante a discussão de Orçamento de Estado 22 de Abril de 1884; participou também, na discussão do projecto de lei que modificava alguns artigos da Carta Constitucional 5 de Maio de 1885 e fez algumas intervenções, na sessão legislativa de 1886, a propósito de um conflito entre a Junta Geral do Distrito de Braga e o concelho de Guimarães; na sessão de 11.8.1887, proferiu o seu discurso mais relevante, enquanto par do Reino, analisando o projecto de lei relativo ao Bill de Indemnidade; debruçou-se ainda, em 16 de Abril de 1888, acerca da ligação ferroviária directa de Braga ou Guimarães com a província de Trás-os-Montes Chaves. Por diversas vezes preside aos destinos da autarquia vimaranense 1870, 1878, 1887-1892, destacando-se nos seus mandatos com diversas medidas e melhoramentos da cidade. Em 1883, esteve empenhado na abertura da ligação ferroviária entre a localidade de Trofa a Guimarães.

Esteve envolvido nos incidentes de 28 de Novembro de 1885, como procurador da Junta de Guimarães, devido a uma proposta para a criação dum curso complementar de ciências em Braga. Alguns procuradores de Guimarães, puseram dúvidas em relação à sua criação, manutenção e às circunstâncias económicas do concelho e distrito. Referiam ainda, que Guimarães só era convidada para contribuir, mas sempre esquecida para receber. Deste incidente 28 de Novembro de 1885 resultou, para os três procuradores a maior glorificação cívica e para Guimarães, o grande início da sua emancipação a 1 de Janeiro de 1887. Dava-se a Guimarães uma administração modelada pelo do município de Lisboa, de modo a que se não pagasse para o distrito qualquer quantia, nem voltassem mais os procuradores desta cidade a tomar parte nas sessões da Junta Geral, acabando deste modo, completamente a tutela desta sobre a Câmara e as Juntas de Paróquia do concelho. Após este episódio, o conde de Margaride recusou-se a voltar à cidade de Braga, criando um estímulo de rancor na população bracarense. Nos festejos do Carnaval da cidade de Braga, existe um boneco que é atirado ao rio no término deste acontecimento, que não é mais nem menos, que o conde de Margaride.

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O próprio jornal «Enthusiasta» n.º 33, de 28 de Novembro de 1886, traça-lhe o perfil afirmando que: «Conde de Margaride é o primeiro cidadão nas proeminências nobiliárquicas. Mas impõe-se às considerações de simpatia e de respeito dos seus patrícios, não pelo gozo das regalias, da sua graduação social; mas porque foi s. Exc.a quem as conquistou pelo mérito e trabalho próprios, e esta circunstância nunca pode ser indiferente numa terra, como a nossa, em que o trabalho se considera um dos maiores títulos de glorificação social Como cidadão de Guimarães, todos conhecemos que o ilustre tem prestado ao progresso e crédito da sua terra a maior dedicação.

Foi da sua iniciativa a manutenção da Colegiada de Nossa Senhora da Oliveira 1887-1890. Este episódio termina, a 1 de Julho de 1890, com a Comissão dos Negócios Eclesiásticos, a deliberar que seria injustificado não satisfazer as aspirações do povo Vimaranense: «O pensamento geral, e em que todos estão de acordo, é a conservação da colegiada, e a sua reorganização por forma que ministre a educação e ensino público». O primeiro artigo da lei, de 14 de Outubro de 1890, autorizava a conservação da Real e Insigne Colegiada com todos os seus haveres e rendimentos, impondo-lhe a obrigação do serviço público e gratuito. Em 1896, foi também da sua iniciativa a criação do Liceu na cidade de Guimarães. Distinto latinista, tradutor de Victor Hugo, para além de numerosos artigos em jornais e revistas, nomeadamente um artigo sobre seu primo direito, o famoso arqueólogo Francisco Martins Sarmento, sob o título «Reminiscências Longínquas», na revista de Guimarães, vol. especial, 1900, sob o referido sábio, publicou algumas das suas intervenções na Câmara Alta: "Bill de Indemnidade", sessão da Câmara dos Dignos Pares de 11 de Agosto de 1887, Porto, 1887 e "A Propósito das Propostas Tributárias", Sessão da Câmara dos Pares em 23 de Fevereiro de 1892 e "Relatório apresentado à Junta Geral do Distrito de Braga", Braga 1874 Catálogo da Exposição Bibliográfica de Autores Vimaranenses realizada na Sociedade Martins Sarmento, Guimarães, 1953, etc.

Filho de Henrique Cardoso de Macedo, Fidalgo Cavaleiro da Casa Real, e de sua mulher D. Luísa Ludovina de Araújo Martins da Costa.

Casou com D. Ana Júlia Rebelo Cardoso de Menezes, filha de Bernardino Felizardo Rebelo de Carvalho e de sua mulher D.Matilde Carolina Cardoso de Menezes Girão.

Confraria da Nobreza

 

O diplomata Alexandre de Gusmão escreveu uma «Genealogia Geral para desvanecer a opinião dos senhores fidalgos portugueses que se dizem puritanos». Explica-se: no século XVII se estendeu sobre muitas famílias, em especial as dos nobres, a suspeita de infecção de sangue por alianças matrimoniais com mulheres de origem judaica; estabeleceu-se então entre as de prosápia mais fidalga a distinção das puritanas, que não aceitavam alianças com as de geração viciada. A estas pertenciam, por exempo notório, as casas do marquês de Alegrete, marquês de Valença e marquês de Angeja.

Para melhor fixar a distinção, seus promotores criaram, sob D. Pedro II de Portugal, esta Confraria da Nobreza fundada com o pretexto da expiação ao desacato de Santa Engrácia, atribuido aos judeus, e por cujos estatutos se obrigavam os irmãos a provarem a qualidade de cristãos-velhos, fora de toda a dúvida.

Na primeira metade do século XVIII agravou-se entre os confrades a ostentação do purismo, e entre os excluídos, a tendência à reação. Neste movimento se inclui a sátira de Gusmão do referido Alexandre de Gusmão, cuja mordacidade pressentimos, não obstante sofreada pelas convenções inelutaveis do momento.

Diz ele: "É necessário saber que cada um de nós na sua árvore de costado até 4°s avós tem 32 quartos avós: cada um destes tem outros 32 quartos avós da sua árvore de costado, que ficam sendo nossos oitavos avós e neste grau montam para qualquer de nós 1.024 avós. Cada um deste em 4° grau tem outros 32 quartos avós que nos vem a ficar em duodécimo grau e somam neste número 31.768 avós. Cada um destes em 4° grau tem outros 32 quartos avós, que para nós são 16° avós e somam neste grau 1.016.576 avós. Cada 1 destes em quarto grau tem outros 32 quartos avós que para nós vem a ficar em 20° grau, em que somam 32.530.432 avós, que cada 1 de nós tem no 20° grau, por todos os lados existentes ou ao menos contemporâneos.

«À vista do que tomara me dissessem os senhores puritanos, se tem noticia de que todos fossem Familiares do Santo Ofício? E porq o não havia nesse tempo, se a tem ao menos de que todos êles fossem puros? É certo também que o 20° grau para nós, ainda não dando mais que 31 ou 32 anos a cada geração que é bem pouco deita isto ao princípio do reino. Quisera que me dissessem êstes senhores se no princípio de Portugal haveria nele êste número de pessoas, não contendo mais além de uma pequena parte da Galiza que as Províncios d'Entre Douro e Minho, Trás os Montes e Beira, até o Mondego; que para baixo tudo era de Mouros.

Eu e todos podemos segurar que ainda hoje não há nele a 5° parte dêste número de pessoas em ambos os sexos, e em todas as idades; isto nos confirma o número dos Exércitos daquele tempo: e não pode haver duvida por aquela conta de que havemos precisamente de descender de quantos então havia em Portugal, e ainda de muitos estrangeiros. Agora, se todos êles eram Puros, então tem muita razão os senhores Puritanos: mas como naquele tempo não havia Santo Ofício nem Mesa da Consciência não sei quem lhes ha de passar essas certidões.

«O que sei é que no princípio do nosso Reino havia Cristãos, havia Mouros, e havia Judeus; e q todos estes certamente não faziam o número de três milhões de pessoas. A conta é certa: as premissas estão provadas, mas a consequência é trabalhosa.

«Já houve quem respondeu a êste argumento dizendo não haver duvida na conta, nem igualmente em que no dito grau são necessários aqueles numerosos avós existentes ou contemporâneos: mas que cada um daqueles podia ser mil vezes nosso 20° avô como tronco comum de muitos descendentes.

«Consenti na resposta: e dei-lhe para êsses desconos os 32 milhões, que era o que me bastava para absorver a parte de todas as Familias que poderia haver naquela primeira idade do nosso Reino, nas três Províncias e parte da Galiza. Demais, no ano de 1492 foram expulsos todos os Judeus de Castela, e a maior parte dêles se passou a Portugal, onde também os havia, vivendo todos no erro da sua crença. No de 1497 os obrigou El R D. D. Manuel a que se batizassem, ou saissem do Reino. Muitos se batizaram onde teve princípio a fatal diferença de cristão velho e cristão novo.

«Como porém os que se expulsaram eram em grande número, temeu el-rey lhe fizessem grande falta em seu Reino tão pequeno, e para a remediar de algum modo, mandou que todas as crianças que não passassem de 7 anos se lhes arrebatassem, para que, batizadas, e instruidas em nossa Santa Fé, remediassem pelo tempo adiante a falta de tanta gente.

«Consta de nossas Historias que o número destes Meninos chegou a 12 mil, os quais todos se deram para criar or êste Termo de Lisboa, com varios privilégios, que convidaram os Povos a querê-los e tratá-los.

Estimara me dissessem os Senhores Puritanos que foi feito desta gente, se morreram todos? Ora, demos-lhe que morresse a metade: que foi feito dos 6 mil? Que separação tiveram? Por onde se ficaram conhecendo? O certo é que todos ficaram nesta cidade de Lisboa e de seu termo: aqui viveram, casaram e tiveram infinitos descendentes.»

O problema teórico da origem e função da nobreza era estudado desde Carvalho de Parada, Severim de Faria, Pedro Barbosa, que afirmam a igualdade inicial dos homens e apresentam a desigualdade para fundamento natural das origens da nobreza, cuja função seria tornar menos perniciosa a disparidade provocada pelo pecado original. Todos distinguem dois tipos, a nobreza herdada e a nobreza adquirida, defendendo o direito de acesso de todos. Os principais títulos do século XVII eram escudeiro, cavaleiro, fidalgo de cota de armas, fidalgo de solar solar conhecido, notório ou grande solar. Os titulares eram considerados «grandes», que tinham força para dar valor de escritura pública aos alvarás que fazem e assinam. Serão, logo abaixo dos infantes, duques, marqueses, condes, viscondes, barões, condestável, marechal e alferes-mor.

O cristão-novo Rodrigues Lobo, por exemplo, indaga: «Nascer de estirpe antiga que aproveita?»

A preocupação corrente nos teóricos do século é a análise da importância do valor pessoal para suscitar nobreza legal. Freire Serrão diz inclusivamente: «Não há maior insânia que presumir um rei que os dotes naturais ou graciosos  se hão de achar em um filho e parente», o que suscita a promoção à nobreza são os feitos de armas, o exercício das letras, a dignidade religiosa, a riqueza agrícola.

Temos que os Puritanos, ligados à França e Espanha, mantinham-se contra os Reformistas, mais maleáveis, ligados à Inglaterra e à Holanda. Com o ouro do Brasil a realeza, sem necessidade de aumento de impostos, alargou o sistema de tenças à nobreza da Corte.

FONTE WIKIPÉDIA

 

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