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ENGRÁCIA SARAGOÇA

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ENGRÁCIA DE SARAGOÇA

Santa Engrácia é venerada como virgem mártir e como santa na Igreja Católica e na Igreja Ortodoxa. Segundo a tradição, fora martirizada com mais dezoito companheiros seus no ano de 303.

Partilha o nome próprio, o trágico destino e provavelmente a mesma cidade natal com Engrácia de Braga, personalidade que viveu séculos mais tarde.

Contexto histórico

No final do século III, o número de cristãos havia aumentado no Império Romano, graças à menor pressão das leis do tempo do Imperador Galiano. Encontravam-se cristãos um pouco por todo o lado: no campo mas mais nas cidades, nos fóruns, entre os escravos, no exército e também entre mercadores.

A fé em Cristo também se havia espalhado devido a um certo desencantamento e aborrecimento do culto aos deuses pagãos, aos testemunhos que deram os mártires, à transmissão oral e aos bons exemplos praticados pelos devotos cristãos.

O atual imperador, Diocleciano, havia conseguido a unidade territorial, política e administrativa, querendo também alargar estas conquistas à religião.

Para isso, seria necessário acabar com a fé em Cristo que naturalmente se encontrava em oposição à religião oficial do Império, o Politeísmo Romano. Para tal, outorga quatro éditos e nomeia cuidadosamente os governadores que crê serem capazes de os fazer cumprir.

Vida e martírio

Engrácia era uma jovem de Bracara Augusta atual Braga prometida em casamento a um nobre da região de Rossilhão, na província da Gália Narbonense, sul da atual França. Para escoltá-la na viagem fora o seu tio Lupércio por vezes identificado com Lupércio, o bispo da antiga Diocese de Eauze, dezoito cavaleiros e uma empregada, de nome Júlia.

Ao chegar à cidade de César Augusta atual Saragoça e ao inteirar-se das atrocidades que o governador, Daciano, estava a cometer junto dos cristãos por decreto do Imperador, apresenta-se espontânea e diretamente diante de si para o confrontar com as crueldades, injustiças e a insensatez com que tratava os seus irmãos de religião.

Termina martirizada com a oferta da sua própria vida e a dos seus companheiros, assim que se percebe que era também cristã.

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Nos registos do martírio, os feitos encontram-se descritos da maneira tradicional, tanto que acaba por ser difícil separar a realidade dos factos daquilo que poderá ser produto da imaginação, consequência da piedade dos cristãos.

Com efeito, o diálogo entre a frágil donzela e o cruel governador afigura-se-nos claro: ela usando raciocínios humanos e firmes na sua fé com que acusa a injustiça cometida que hoje diríamos serem questões de Direitos Humanos, a existência de um deus único a quem serve, a loucura dos deuses pagãos e a disposição em sofrer até ao fim pelo amado; ele, por seu turno, utiliza recursos como o castigo, a ameaça, a promessa e a persistência.

Em resumo, a pormenorizada e pura descrição do tormento da jovem conta que primeiro fora açoitada, depois atada a um cavalo e arrastada, o seu corpo fora rasgado com ganchos e os seus peitos cortados. Depois foram colocados pregos no seu corpo.

Para que sofresse ainda mais, abandonaram-na quase morta submetida a um indescritível sofrimento por todas as suas feridas, até morrer. Os dezoito acompanhantes foram degolados nos arrabaldes da cidade.

Mártires de Saragoça

Também denominados por Inumeráveis Mártires de Saragoça, e além de serem incluídos Engrácia, Lupércio e Júlia, temos: Optato, Caio, Crescente, Sucesso, Marcial, Urbano, Quintiliano, Públio, Frontónio, Félix, Ceciliano, Evódio, Primitivo, Apodémio e mais quatro homens de nome Saturnino. Com o nome destes últimos, há uma outra tradição, com fontes que referiam que os seus nomes eram Cassiano, Jenaro, Matutino e Fausto.

Veneração

O poeta Prudêncio, natural daquela cidade, escreveu vários poemas em honra destes mártires Peristephanon, com a lista dos seus nomes e a descrição das terríveis torturas a que Engrácia fora sujeita. Prudêncio convidou a população a vergar-se diante dos seus túmulos sagrados e Engrácia foi, certamente, a mais venerada do grupo. O seu culto foi disseminado por toda a Península Ibérica e além Pirinéus.

A Igreja reconsagrou-a no decorrer do II Concílio de Saragoça, em 592, decreto celebrado a 3 de novembro, data esta que por vezes é usada como alternativa para assinalar a sua santidade no calendário litúrgico dos santos. No entanto, a sua celebração oficial e tradicional ocorre no dia 16 de abril em ambas as Igrejas Cristãs que a veneram.

A Igreja Basílica de Santa Engrácia, em Saragoça, foi construída no lugar onde é dito que Engrácia e os seus companheiros foram martirizados. Fora destruída durante a Guerra Peninsular, apenas restando a cripta e a porta.

Fora reconstruída nos finais do século XIX e inícios do século XX e serve como igreja paroquial. Em Portugal, foi mandado erguer pela Infanta D. Maria, a Igreja de Santa Engrácia em Lisboa, no ano de 1568. Em 1682 é iniciada a sua reconstrução devido a ter ficado severamente danificada por um temporal. Este monumento possui atualmente título de Panteão Nacional.

FONTE WIKIPÉDIA

 

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